quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Brasil Conectado leva internet a 60% das escolas públicas e avança com nova etapa via satélite 27 de agosto de 2025 - Redação Focus Brasil

EDUCAÇÃO

Programa do Governo Federal já alcança mais de 82 mil unidades de ensino e prevê universalizar a conectividade até 2026

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A chegada da internet transforma a rotina escolar e amplia oportunidades de aprendizado para milhões de crianças em todo o país Foto: MCom 

 

Redação Focus Brasil

O programa Escolas Conectadas, parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), alcançou em agosto de 2025 um marco inédito: 82,2 mil escolas públicas do ensino básico já contam com internet de banda larga e rede wi-fi aberta, o que corresponde a 60% do total de unidades escolares do país.

A iniciativa é conduzida pelos Ministérios das Comunicações e da Educação e se consolida como uma das principais políticas do governo federal para ampliar a qualidade da educação pública.

O levantamento entregue ao ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, aponta que 21 das 27 unidades da Federação já têm mais da metade das escolas conectadas.

Estados como Mato Grosso do Sul (79,3%), Rio Grande do Norte (78,5%) e Goiás (77%) lideram a lista, mostrando avanços significativos também em regiões historicamente marcadas por desigualdades de infraestrutura digital.

“Conectar uma escola é conectar sonhos, oportunidades e o futuro de milhares de crianças e jovens. Estamos transformando a realidade da educação pública no Brasil, garantindo que a internet chegue onde antes não chegava. Nenhuma escola ficará para trás, essa é a nossa missão até 2026”, afirmou o ministro Frederico de Siqueira Filho, ao celebrar os números.
Nova etapa via satélite

Em julho de 2025, o governo anunciou a expansão do programa com a inclusão de 4,1 mil escolas públicas em regiões remotas, que receberão conexão de alta velocidade via satélite.

O acordo firmado entre o Ministério das Comunicações, a Telebras e a Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace) prevê instalação de equipamentos, manutenção permanente e treinamento de equipes técnicas locais.

A Telebras será responsável por disponibilizar e operar a infraestrutura, enquanto a Eace destacou a relevância da parceria para reduzir desigualdades.

“Mais de 4 mil instituições terão acesso à internet de qualidade, mesmo em regiões onde a fibra óptica não chegou. Isso significa ampliar oportunidades e garantir equidade”, disse o diretor-geral da entidade, Flávio Santos.

O presidente da Telebras, André Leandro Magalhães, reforçou o caráter estratégico da medida. “Hoje selamos uma parceria que conecta mais do que escolas: conecta pessoas, oportunidades e futuros. Esse projeto é parte de uma missão nacional para transformar a educação por meio da tecnologia”, afirmou.
Investimentos e metas

A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas prevê R$ 6,5 bilhões em investimentos até 2026, com recursos provenientes do Leilão do 5G, do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), da Lei 14.172/2021 e do Programa de Inovação Educação Conectada (PIEC).

Outros R$ 2,3 bilhões complementares estão destinados a iniciativas relacionadas, como geração de energia fotovoltaica em escolas sem acesso regular à rede elétrica.

O programa articula diferentes frentes já em execução, como o Wi-Fi Brasil, o Aprender Conectado, os programas Norte e Nordeste Conectados e ações de atendimento a escolas rurais. A integração dessas políticas permite ampliar o alcance territorial e combater de forma direta a exclusão digital no sistema de ensino.
Conectividade como política de Estado

Mais do que fornecer acesso à internet, o Brasil Conectado representa uma política pública estruturante. Ao priorizar estudantes e professores da rede pública, o programa cria condições para que o uso pedagógico das tecnologias digitais se torne parte da rotina escolar.

A conectividade permitirá, por exemplo, que escolas acessem plataformas educacionais, façam uso de bibliotecas digitais, ferramentas de ensino a distância e formação continuada de docentes.

No diagnóstico apresentado pelo governo, a desigualdade de acesso era um dos principais obstáculos para a universalização do direito à educação de qualidade. Enquanto escolas de grandes centros urbanos já contavam com algum tipo de conexão, milhares de unidades em áreas rurais ou remotas permaneciam isoladas. A meta até 2026 é conectar 100% das 137,8 mil escolas públicas brasileiras.

Governo investe R$ 759 milhões para inclusão digital em áreas remotas

No início de julho de 2025, o Governo Federal aprovou o repasse de R$ 759 milhões do Fust ao BNDES para financiar projetos de conectividade em todo o território nacional. Parte desses recursos é destinada diretamente à conexão de escolas públicas.

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, “os recursos chegam a quem mais precisa. Pequenos provedores, que estão na linha de frente em áreas de difícil acesso, serão beneficiados, e nossas escolas públicas terão prioridade”.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reforçou que a medida fortalece a economia digital e garante inclusão.

“Esses investimentos cumprem a prioridade do presidente Lula ao conectar escolas e negócios e transformar a realidade de crianças, jovens e empreendedores. Também ajudam a restaurar conexões em áreas atingidas por enchentes no Rio Grande do Sul”, afirmou no mês passado, no anúncio do recurso.

 

Origem da matéria : https://fpabramo.org.br/focusbrasil/2025/08/27/brasil-conectado-leva-internet-a-60-das-escolas-publicas-e-avanca-com-nova-etapa-via-satelite/?utm_medium=email&utm_campaign=focus_204_-_02&utm_source=RD+Station

 

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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Governo recebeu indústria do plástico 10 vezes mais que ambientalistas em 6 anos

 SOCIOAMBIENTAL

Governo brasileiro não se compromete com tratado da ONU para conter poluição de plástico em oceanos; Levantamento exclusivo da Repórter Brasil mostra que, entre 2019 e 2025, autoridades receberam representantes da indústria química e do plástico em 49 oportunidades; entidades da sociedade civil participaram de apenas cinco reuniões 
 
MATÉRIA REPÓRTER BRASIL | Por Igor Ojeda, Vinícius Konchinski e Hélen Freitas | Edição Carlos Juliano Barros | 20/08/2025 
 

A POSTURA vacilante do governo brasileiro frustrou ambientalistas que esperavam a aprovação de um acordo global para redução do lixo plástico nos oceanos durante encontro da ONU (Organização das Nações Unidas), encerrado na última sexta-feira (15) em Genebra, na Suíça. Após 11 dias de debate, a sexta rodada de negociações sobre o tema terminou em impasse.

“O Brasil, historicamente, é corajoso em discussões de tratados sobre saúde e meio ambiente. Nesse caso, tem uma postura frustrante baseada no argumento de que não pode prejudicar sua economia. E isso vem da pressão da indústria sobre o MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços]”, diz Paula Jhons, diretora executiva da ONG ACT Promoção da Saúde.

Um levantamento realizado pela Repórter Brasil por meio da ferramenta Agenda Transparente, desenvolvida pela organização Fiquem Sabendo, identificou 87 reuniões de autoridades federais nas quais o plástico esteve em pauta, realizadas entre 26 de junho de 2019 e 6 de junho deste ano. Além do tratado global, assuntos relacionados a legislações nacionais sobre a produção de plástico, entre outros, também foram temas dos encontros.

Em 49 dessas reuniões (56% do total), algum representante da indústria estava presente. Além das associações empresariais das indústrias química (Abiquim) e do plástico (Abiplast), esses encontros chegaram a contar, em algumas ocasiões, com representantes das indústrias de alimentos, de refrigerantes e de tintas. Já organizações da sociedade civil que defendem o banimento da produção e do uso de alguns tipos de plásticos estiveram representadas em apenas cinco reuniões – 6% do total.

Mais de 100 países defendem limite à produção de plástico

Iniciado em 2022, o debate sobre o tratado global na ONU tem colocado em posições opostas dois grandes grupos de países. De um lado, mais de 100 nações defendem o banimento de produtos plásticos de uso único — os “descartáveis” — e de algumas substâncias químicas nocivas usadas em sua fabricação. 

De outro, estão os países produtores de petróleo, que se opõem a qualquer restrição à fabricação e propõem como solução alterações no design dos produtos, além de adequações na coleta, tratamento e reciclagem.

“A posição da delegação brasileira em Genebra deixou a desejar ao não se alinhar ao grupo com mais de 100 países que defendeu propostas avançadas para estancar a hecatombe plástica”, criticou, em comunicado no dia 15, a Coalizão Vida Sem Plástico, rede brasileira de organizações da sociedade civil que lutam contra a poluição plástica nos oceanos.

Oitavo maior produtor mundial de lixo plástico, o Brasil despeja anualmente cerca de 1,3 milhão de toneladas desse resíduo no mar, o que representa 8% do volume global, segundo um estudo da ONG Oceana Brasil de 2020. No entanto, pressionado por sua própria indústria, especialmente a química e a do plástico, o país deixou de apoiar um documento final mais ambicioso.

A maior parte dos encontros com a presença do setor industrial ocorreu com autoridades do MDIC. Comandada pelo também vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a pasta foi a responsável por ordenar a retirada de uma proposta brasileira para banimento de determinados materiais na quinta rodada de negociações do tratado sobre poluição plástica, em Busan, Coreia do Sul, em novembro de 2024. 

O MDIC, pasta comandada pelo também vice-presidente da República, Geraldo Alckmin , é a principal frente de atuação das indústrias do setor químico e do plástico (Foto: Alice Vergueiro / Futura Press)

 

A história foi revelada em reportagem da Agência Pública. O recuo teria atendido um pedido da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

 “A escuta ao setor produtivo é legítima e importante, desde que equilibrada com a participação de outros atores da sociedade. O que preocupa é quando essa influência da indústria é desproporcional”, pontua Michel Santos, gerente de Políticas Públicas da WWF-Brasil. 

“Essa tentativa de conciliação se traduz em um discurso genérico que, na prática, posterga decisões urgentes ou cede desproporcionalmente às pressões do setor produtivo, sem considerar os impactos socioambientais da poluição plástica”, completa.

Em nota, o MDIC afirma que o debate sobre a posição do Brasil no tratado global busca o equilíbrio entre os diferentes setores da sociedade, incluindo a sociedade civil e o setor produtivo, e que o diálogo é “parte legítima e necessária de qualquer democracia, especialmente diante de um desafio que exige transição industrial justa e sustentável”. Leia aqui a resposta na íntegra

De acordo com um estudo da organização não governamental Oceana Brasil, de 2024, resíduos plásticos representam uma grave ameaça a animais marinhos, não só por serem confundidos com alimento, mas também por gerarem riscos à locomoção de diferentes espécies, além de contaminação química e destruição de habitats.

Já os seres humanos estão expostos a microplásticos presentes na carne de peixes e frutos do mar. “Globalmente, nove das dez espécies de peixes mais capturadas para o consumo humano apresentam ingestão de plástico”, diz o texto. Esses materiais são hoje detectados no sangue e no leite materno e em diversos órgãos vitais humanos, como cérebro, pulmão, coração e testículos.

Um relatório divulgado pela WWF às vésperas do início das reuniões de Genebra, baseado em estudos da Universidade de Birmingham, da Inglaterra, aponta que resíduos da poluição plástica disseminados pelo planeta têm elevado os riscos de câncer e infertilidade.

Relatório de 2024 da organização ambiental CCI (Centro para a Integridade Climática) afirma que a reciclagem não é técnica nem economicamente viável para dar conta do volume de produtos plásticos produzidos (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Para o presidente-executivo da Abiplast, a sociedade civil e organizações ambientais defendem o banimento de produtos porque consideram a reciclagem inviável. “Mas, caso se invista no aumento da circularidade, evita-se o banimento. Claro que a maneira mais fácil é banir. Até porque há também uma parte do setor privado que quer substituir o plástico”, argumenta.

Um relatório de 2024 da organização ambiental CCI (Centro para a Integridade Climática), dos Estados Unidos, afirma que a reciclagem não é técnica nem economicamente viável para dar conta do volume de produtos plásticos produzidos. Segundo a CCI, embora as indústrias petrolífera e do plástico saibam disso há 50 anos, elas vêm “enganosamente” promovendo-a como uma solução para a gestão de resíduos plásticos. 

“O problema da poluição de plástico é como uma banheira cheia e transbordando água. Não adianta você ficar tirando água com um balde se você não fechar a torneira”, compara Paula Johns, da ACT Promoção da Saúde.

De acordo com dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2022, o mundo estava produzindo duas vezes mais lixo plástico do que duas décadas atrás e apenas 9% do total dos resíduos era, de fato, reciclado.

“À medida que o aumento populacional e de renda provoca um aumento implacável na quantidade de plástico usado e descartado, as políticas para conter seu vazamento no meio ambiente estão falhando”, diz o documento.

Paulo Teixeira, da Abiplast, argumenta que essa baixa porcentagem ocorre quando se leva em conta todo o plástico que é consumido, incluindo produtos de ciclo mais longo ou utilizados na composição de outros itens. Em relação aos plásticos de ciclo curto, essa proporção seria maior.

A Repórter Brasil solicitou entrevista com André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, mas não obteve retorno.

 

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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Um dia especial, no cotidiano do Movimento das Comunidades Populares (MCP), no Nordeste

Revista Consciência

por Alder Júlio Ferreira Calado em 20 de agosto de 2025




Atendendo a mais um convite da coordenação do MCP paraibano, tive a alegria de participar de mais um Encontro deste Movimento, realizado em Cabedelo- PB, nos dias 16 e 17 próximo-passados. Tratava-se de um Encontro especial de avaliação e de comemoração dos quatro anos da fecunda experiência, em âmbito nordestino (Alagoas, Pernambuco e Paraíba) do GIC (Grupo de Investimento Coletivo), uma das múltiplas marcas do MCP, iniciativa que, na região Sudeste (especialmente no Rio), já alcança décadas. Por conta de outra agenda já comprometida (Encontro mensal de reflexão e de estudos com o grupo Caminhos de Liberdade, junto à Comunidade do Mutirão, em Bayeux), dele só pude participar no Domingo.

Já tive várias oportunidades, no blog textosdealdercalado.blogspot.com, de compartilhar diversos textos sobre o MCP. O Movimento das Comunidades Populares, nascido em 1969, sucedâneo da JAC (Juventude Agrária Católica), e que, desde então, tem atuado no Brasil sob diferentes denominações conjunturais (MER- Movimento de Evangelização Rural; CSI – Corrente Sindical Independente; MCL – Movimento das Comissões de Lutas; e, desde 2009, MCP – Movimento das Comunidades Populares), organizado em diversas regiões do País, com sede em Feira de Santana-BA, onde teve lugar, no ano passado seu I Congresso Nacional.

O MCP ainda vive sob o calor e entusiasmo do seu recente Congresso realizado em 2024. As principais marcas do MCP são a fidelidade aos interesses da Classe Trabalhadora; a tomada de decisões pela Base; a autonomia – econômica, política, e ideológica, tanto em relação ao Mercado Capitalista, como em relação ao Estado e seus aparelhos. Organiza-se em vários setores – lutas pela Saúde, Moradia, pela Educação, pela Cultura, protagonizadas pelos seus militantes do Campo e das periferias urbanas, nas lutas em defesa e promoção dos Povos Originários, das Comunidades quilombolas, dos Camponeses, dos operários, dos Desempregados e das maiorias oprimidas de nossa sociedade. Diferentemente de outros movimentos populares, o MCP tem optado pela não-filiação a partidos institucionalizados.

As linhas que seguem, têm o propósito de pôr em relevo alguns aspectos das atividades realizadas neste Encontro, em especial no tocante à avaliação da experiência dos quatro anos de funcionamento do GIC – Grupo de Investimento Coletivo. A partir de cinco questões trabalhadas em pequenos grupos. Os participantes debateram e refletiram sobre o funcionamento e os frutos colhidos por esta experiência, bem como acerca dos desafios encontrados e o modo como os diversos grupos do GIC se organizam para superar as deficiências.

Importa assinalar o sentido maior desta experiência, no quadro geral do MCP: ousando uma alternativa à lógica do sistema bancário burguês – enraizada na obtenção de lucros extorsivos -, os membros do MCP apostam na força dos tostões compartilhados investidos no GIC, como forma alternativa de reserva para financiamento de pequenos projetos coletivos ou mesmo de alcance individual. Por exemplo, um desses membros do GIC relatou, com alegria, que dos tostões que ele investira, há alguns anos, chegou a recolher, como resultado, o valor suficiente para adquirir algumas tarefas de terra e vários bodes para criar. Importante, ainda, ressaltar que, no conjunto de questões propostas para reflexão em pequenos grupos, duas delas instigavam os participantes a relatarem os seus esforços de identificar e de corrigir falhas de procedimentos quanto aos objetivos perseguidos pelo GIC, de modo a entendê-lo, não como um fim em si mesmo, mas como um instrumento a serviço do MCP, no que diz respeito ao exercício de sua autonomia econômica, com desdobramentos em suas lutas políticas e culturais.

Ao mesmo tempo, os participantes – mulheres homens e crianças – mostraram-se sensíveis, na metodologia do Encontro, de modo a combinarem tempos de trabalho, de estudos, de reflexão, de convivência e de lazer, razão pela qual também se mostraram bem-sucedidos na escolha do local do Encontro e na repartição das tarefas.

Tal dinâmica permitiu, inclusive, a um grupo de veteranos do Movimento, a realizarem, espontaneamente, uma animada roda de conversas, compartilhando suas memórias mais vivas, nesta trajetória cinquentenária do MCP, reconhecendo conquistas assim como momentos de debilidades, com muita abertura ao exercício da autocrítica.

Impactou- me, em resumo, a persistência dos militantes do MCP, em buscarem caminhos alternativos de superação das mais diversas manifestações mortíferas do atual modo de produção, de consumo e de gestão societal, razão pela qual, sempre abertos a lerem criticamente a realidade e ao diálogo com outras forças populares, mantendo-se fiéis ao seu compromisso com as causas libertárias do Planeta, dos humanos e dos demais viventes.


João Pessoa 19 de Agosto de 2025.




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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

As vítimas do Araguaia: famílias de camponeses mortos na ditadura pedem reparação

VIOLÊNCIA NO CAMPO

Na região onde atuou a guerrilha do Araguaia, massacrada pela ditadura, um movimento de trabalhadores rurais e pesquisadores recupera documentos oficiais do regime militar para provar que os camponeses também foram vítimas da repressão

Matéria Repórter Brasil | Por Natália Suzuki e Matheus Faustino | Edição Diego Junqueira | 12/08/2025



ASSIM COMO OS INTEGRANTES da Guerrilha do Araguaia — movimento de enfrentamento armado à ditadura formado na divisa do Pará com o Tocantins, entre as décadas de 1960 e 1970 — camponeses daquela região também foram alvo do regime militar na Amazônia. Meio século depois, filhos e netos desses trabalhadores ainda lutam para que o Estado reconheça seus parentes como vítimas de crimes políticos.

Com apoio de pesquisadores, familiares de trabalhadores rurais mortos ou desaparecidos no sudeste do Pará estão reunindo documentos oficiais — muitos deles antes mantidos em sigilo — para demonstrar como agentes de segurança pública atuaram em conluio com empresários e grandes proprietários de terra na repressão a camponeses.

A mobilização teve início após a avaliação de que a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar os crimes cometidos pelo regime militar, não incluiu trabalhadores rurais entre as vítimas da ditadura. O relatório final da comissão, publicado em dezembro de 2014, apontou 434 nomes de perseguidos do Estado brasileiro entre 1946 e 1988. Paralelamente, a Comissão Camponesa da Verdade identificou 1.196 casos de trabalhadores rurais e aliados mortos ou desaparecidos entre 1961 e 1988.

“O Estado deu um passo importante, mas os camponeses ficaram fora”, afirma a historiadora Luzia Canuto, de Rio Maria (PA), que perdeu o pai e dois irmãos assassinados. “A nossa região é muito violenta e virou um local de silenciamento. As pessoas não querem falar. Mas se deve continuar investigando. Os camponeses precisam ser descobertos”, complementa.

Embora tenha sido montado na região principalmente contra a Guerrilha do Araguaia, desmantelada em 1974, o aparato repressivo também foi usado contra opositores do regime militar e de fazendeiros locais. “Onde eles [militares] acreditavam que pudesse ter foco de resistência, continuaram a perseguição”, afirma Luzia Canuto.

Além de camponeses, o regime mirava sindicalistas, religiosos e movimentos sociais. “Eles eram monitorados pelo Estado, sabiam que estavam arriscando a vida. E o Estado tinha um lado, o dos fazendeiros”, diz ela, ressaltando que a perseguição aos lavradores era feita com apoio empresarial. “Nós vamos comprovar isso com documentação”, garante Luzia.
 
(Mapa: Rodrigo Bento)


Perseguição a líderes sindicais durante e após a ditadura

Dos 1.196 casos mapeados pela Comissão Camponesa da Verdade, o estado do Pará lidera com 556 assassinatos (46% do total). Um dos casos emblemáticos é o do sindicalista Raimundo Ferreira Lima, conhecido como Gringo, morto em 1980 em uma emboscada. Na época, ele figurava em uma lista de lideranças ameaçadas por fazendeiros.

O crime nunca foi investigado e os responsáveis continuam impunes. A suspeita é que latifundiários tenham contratado pistoleiros para matá-lo. Gringo foi assassinado um mês antes das eleições para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, que era então administrado por um “pelego” — interventor ligado ao governo e aos latinfundiários. Gringo era o líder da chapa de oposição e autor de denúncias contra a gestão do sindicato.

Após o crime, o pesadelo não teve fim para a esposa, que restou com seis filhos pequenos. Ela própria foi perseguida. “Minha mãe sempre se despedia da gente como se fosse a última vez, porque ela não sabia se ia voltar”, conta a filha Nédyma Lima, que tinha três anos quando o pai morreu.

Uma noite, Nédyma conta que a Polícia Federal invadiu a casa paroquial onde viviam, sequestrou fotos da família e espalhou panfletos difamatórios com a imagem da mãe dela. Durante a ação, os filhos foram ameaçados e humilhados. “Quando chegamos no portão, eles colocaram a arma em nós. Meu irmão mais velho chorava muito. Eles perguntavam onde escondíamos as armas”, lembra Silvio Lima, que tinha apenas dez anos na época.

No último 29 de maio, data que marcou os 40 anos do assassinato de Gringo, parentes de camponeses mortos ou desaparecidos se reuniram em Redenção (PA) para compartilhar suas memórias e avançar nas conversas para reivindicar o reconhecimento do Estado.
 
 Reunião de familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar na sede da OAB em Redenção, Pará (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Entre os achados que apontam para a participação do Estado nas agressões estão as ações do GTAT (Grupo de Terras do Araguaia Tocantins). Durante a ditadura, o órgão federal em tese cuidava da regularização fundiária na região. Mas, na prática, dizem os pesquisadores, atuava na defesa dos grandes proprietários de terras. Houve também aparelhamento de sindicatos de trabalhadores rurais, que passaram a ser presididos por interventores ligados às forças policiais e aos fazendeiros.

“A gente mora numa região ocupada basicamente no período militar com uma ocupação incentivada [pela ditadura]. Mas havia um tratamento diferenciado. O fazendeiro ganhava a terra, financiamento e todas as chances de se estabelecer. O trabalhador, não. Então essas áreas se tornaram posteriormente focos de disputa. E o Estado se comportava em grande parte na defesa do latifundiário”, afirma Luzia Canuto.

O assassinato do pai dela, João Canuto, também se relaciona à repressão sindical. Em 1985, latifundiários locais contrataram pistoleiros para assassiná-lo. João era uma das principais lideranças em defesa da reforma agrária na região e líder do primeiro sindicato local dos trabalhadores, em Rio Maria.

Três dias antes de ser assassinado, Canuto havia registrado as ameaças de morte às autoridades, mas nenhuma providência foi tomada. A inação do Estado é um sinal da cumplicidade, na avaliação da família. “Quando tinha a morte de um trabalhador, principalmente nas décadas de 80 e 90, a própria polícia achava um mecanismo de culpar a vítima. Tivemos muita dificuldade de fazer o processo andar na Justiça. No caso do meu pai, sumiram peças, partes, páginas do processo.”

Em 1990, seis anos após o assassinato de João, três filhos dele (irmãos de Luzia) foram sequestrados por um ex-policial militar que prestava serviços para fazendeiros. Apenas um escapou com vida. Em 1991, Expedito Ribeiro de Souza, um dos sucessores de João Canuto no sindicato, foi assassinado a mando de um fazendeiro.
 Comboio militar chegando à região da guerrilha do Araguaia, em 1972 (Foto: Reprodução/Comissão Camponesa da Verdade/Acervo da SDH/PR) 

Major Curió também perseguiu camponeses 
 
Entre os nomes de autoridades citados pelas vítimas está o do coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, falecido em agosto de 2022. Militar de carreira, ele comandou ações contra a Guerrilha do Araguaia e continuou operando na região após o fim do movimento.

A guerrilha se instalou entre os municípios de Marabá e Santana do Araguaia, especialmente em São Geraldo do Araguaia — na época, um distrito de Conceição do Araguaia.

Curió temia pelo retorno dos guerrilheiros, e por isso atuava de forma ambígua: reprimia lideranças sindicais e ao mesmo tempo buscava apoio popular. “Ele parecia um paizão, tinha uma voz suave. Na guerrilha, quando capturava alguém, como o camponês, o prisioneiro, ele fazia o papel daquele que interrompia a tortura e propunha alguma coisa para quem estava sofrendo”, diz o padre Ricardo Rezende Figueira, à época coordenador da CPT na região do Araguaia e Tocantins.

“O distrito de São Geraldo tinha mais infraestrutura na época do que a sede do município, porque Curió precisava ganhar aquele povo, pois era onde estava a guerrilha. Ele investiu muito”, lembra o padre sobre as benfeitorias, como estradas, escolas e acesso à água potável.

“Naquele período, o Exército era a única referência legal; eram eles que mandavam e desmandavam. Quando tinha um conflito, às vezes, o trabalhador ia buscar o Curió”, observa o padre Rezende, que é também coordenador do GPTEC (Grupo de Pesquisa do Trabalho Escravo Contemporâneo), da UFRJ.

A repressão também alcançou religiosos que atuavam com os camponeses. O padre Rezende foi um dos perseguidos. Ele relata que o Exército invadiu casas paroquiais, prendeu padres e seminaristas e espancou missionários.

Um dos episódios marcantes foi o sequestro do padre italiano Nicola Arpone, em 1979, por um helicóptero do Exército em frente à casa paroquial em Wanderlândia (TO). Segundo Rezende, o alvo da operação seria o padre Josimo Morais Tavares, morto por um pistoleiro com dois tiros nas costas em 1986, a mando de latifundiários locais. Rezende também foi ameaçado de morte e precisou deixar a região.
 Padre Ricardo Rezende no memorial às vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás, quando policiais militares do Pará ataram 19 trabalhadors rurais sem terra (Foto:Fernando Martinho/Repórter Brasil) 

Legado de violência fundiária 
 
 
O envolvimento da ditadura com a repressão no campo se articulava com o interesse em desenvolver economicamente a região amazônica. No início dos anos 1970, o governo federal lançou o Plano de Integração Nacional, que deu origem à rodovia Transamazônica e fortaleceu a atuação da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Por meio de incentivos fiscais, empresas podiam investir na Amazônia abatendo 50% do imposto de renda, com aportes convertidos em capital para projetos agropecuários e industriais.

Com apoio da Sudam, a Volkswagen criou a Companhia Vale do Rio Cristalino, uma fazenda de exploração madeireira e criação de gado que chegou a ocupar uma área equivalente à cidade de São Paulo. O empreendimento incluía uma planta frigorífica para abastecer outras fazendas da região. A montadora é ré em um processo movido pelo Ministério Público do Trabalho, que a acusa de explorar mão de obra análoga à escravidão entre os anos 1974 e 1986. Estima-se que a empresa tenha recebido o equivalente a R$ 500 milhões em recursos públicos.

Luzia destaca que era interesse do Estado defender os fazendeiros atraídos pelo governo à região. Segundo ela, os documentos oficiais mostram que os trabalhadores continuaram sendo vigiados mesmo após o fim da ditadura militar. “O governo daquela época tinha mapeado todos os sindicatos e sindicalistas. Eles colaboravam para que os fazendeiros matassem e continuassem impunes”, ela diz.

“No Arquivo Nacional, por exemplo, aparecem documentos que tratam da constituição da UDR na nossa região. O estado sabia que eles estavam mapeando para matar. E nada foi feito”, defende.

A UDR (União Democrática Ruralista) foi criada em 1985 em Goiás, estado que na época abarcava também o território de Tocantins, na fronteira com o Pará. O movimento ruralista surgiu para se contrapor ao avanço do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da reforma agrária.

Para a historiadora, a aliança entre Estado e empresários ajuda a explicar o histórico de violência no sudeste do Pará. Alguns dos mais marcantes conflitos por terra do país aconteceram justamente nessa região.

Em 1996, policiais militares assassinaram 19 trabalhadores rurais sem terra durante uma manifestação pela reforma agrária, no caso conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás”. Cerca de 1.500 famílias pediam a desapropriação da fazenda Macaxeira, então ocupada pelo MST.

A 350 km dali, em Pau D’Arco, dez trabalhadores sem terra foram mortos em 2017 na fazenda Santa Lúcia, após ação das polícias civil e militar do Pará. Os agentes continuam na ativa, enquanto os mandantes do crime não foram identificados.

“Conviver com a impunidade não é fácil. A gente se reúne, chora, abraça e luta. Essas famílias, na verdade, ficaram todas destruídas e sobrevivem como podem. Queremos Justiça”, afirma Luzia Canuto.
 
 
Matéria Repórter Brasil: https://reporterbrasil.org.br/2025/08/vitimas-araguaia-camponeses-mortos-ditadura-reparacao/ 
 
 

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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Campus Tucuruí conquista destaque nos Jogos dos Servidores do IFPA 2025

IFPA

Delegação de 36 servidores brilhou em Ananindeua, garantindo pódios na natação, atletismo e boas posições nas modalidades coletivas.

Matéria Portal da cidade de Tucuruí | Publicado em 13/08/2025 às 15:31| Atualizado em 13/08/2025 às 17:10

 


Nos esportes individuais, Tucuruí competiu em xadrez, tênis de mesa, natação e atletismo, com destaque absoluto para a natação, onde conquistou o 1º lugar no ranking geral. O professor Francisco Neto foi o grande nome, somando quatro medalhas: ouro nos 50m nado livre e 50m nado borboleta, prata nos 50m nado peito e bronze nos 100m nado livre. O professor Olivar Martins também brilhou, garantindo duas medalhas de bronze (50m nado livre e 50m nado borboleta).




No atletismo, o professor Osnar Obede levou a prata na corrida de 2 km, enquanto o professor Rosinaldo Pereira conquistou bronze na mesma prova e prata nos 100 metros rasos.




 

Nas modalidades coletivas, Tucuruí marcou presença no futsal (masculino e feminino), basquete masculino, vôlei de quadra (masculino e feminino) e vôlei de areia em quarteto misto, encerrando com o 5º lugar no ranking geral coletivo.



Organizados pelo Departamento de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV) da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), os jogos tiveram como objetivo incentivar integração, bem-estar e qualidade de vida aos servidores.



Para o professor Olivar Martins, a mobilização e o entusiasmo dos participantes foram essenciais para o bom desempenho. Já o professor Francisco Neto destacou o espírito de equipe como peça-chave para os resultados.

 


A Direção Geral do Campus Tucuruí parabenizou seus servidores-atletas pelo desempenho e agradeceu à DSQV/Progep pela realização do evento, que deu ainda mais visibilidade à unidade.

Fonte: 

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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Como pujança do agro levou Sorriso, no Mato Grosso, ao top 20 da violência no Brasil

“Capital nacional do agro”, Sorriso (MT) tem as maiores taxas de homicídio e de violência contra a mulher do Centro-Oeste. Para pesquisadores, modelo de ocupação voltada à produção agrícola criou condições para guerra de facções e atuação de grupos criminosos
 
Repórter Brasil | Por Jeniffer Mendonça | Edição Carlos Juliano Barros |  01/08/2025 
 
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RECONHECIDO como “a capital nacional do agro” na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, o município de Sorriso (MT) é o mais violento do Centro-Oeste e o 13º do país, segundo o mais recente anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados relativos a 2024. 

Ao longo do ano passado, quase 60 pessoas foram assassinadas a cada 100 mil habitantes — pelo terceiro ano consecutivo, a taxa ficou muito acima da média nacional (20,8). No quesito violência contra a mulher, Sorriso tem a segunda maior taxa de estupros do país (131,9), atrás apenas de Boa Vista (RR).

Importante pólo produtor de grãos, o município gerou R$ 8,3 bilhões e liderou o setor em 2023, representando sozinho 1% de toda a produção brasileira. Desse total, R$ 5 bilhões vieram só da soja, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Para pesquisadores ouvidos pela Repórter Brasil, os cenários de violência extrema e pujança econômica do agro estão conectados: a propaganda, a riqueza produzida e a geografia da cidade despertam interesse de grupos criminosos, como se verifica não só no tráfico de drogas, mas também no roubo de insumos agrícolas de alto valor.

“Onde tem capital, onde tem população emergente, onde tem mercado consumidor, é para lá que eles [os criminosos] vão”, explica Naldson Ramos da Costa, pesquisador associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e fundador do Núcleo de Estudos da Violência da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).

Violência cresce com disputa de facções criminosas

Desde 2022, Sorriso tem se destacado na taxa de mortes violentas intencionais no anuário produzido pelo Fórum. A publicação soma dados de homicídios dolosos, feminicídios, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios, letalidade policial e policiais mortos.

Naquele ano, a taxa ficou em 70,7 mortes para cada 100 mil habitantes e levou o município ao décimo lugar entre os mais violentos do país. Em 2023, o índice subiu para 77,7 — quarto lugar no ranking.

O período coincide com o acirramento das disputas pelo tráfico de drogas após a fundação da Tropa do Castelar na cidade, uma dissidência da facção CV (Comando Vermelho), até então hegemônica em Mato Grosso.

O racha teria ocorrido por discordâncias de ordens de execução de membros em meio a acusações de “cabritagem”, gíria usada para a venda de drogas sem autorização da facção. O novo grupo também se aliou ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que busca ampliar presença no estado.

A Sesp-MT (Secretaria de Segurança Pública do Mato Grosso) alega que, em 2023, 90% dos 81 homicídios envolveram “pessoas ligadas às organizações criminosas e com antecedentes criminais”. Sobre 2024, a pasta disse ter havido redução do número dos homicídios após aumento da repressão ao crime organizado, com reforço do policiamento e programas de videomonitoramento. Leia a nota na íntegra aqui.

Procurada, a Prefeitura de Sorriso enviou release em que comemora a saída da cidade do ranking das 10 mais violentas e atribui o resultado à atuação do sistema de Justiça e das forças policiais, bem como à criação de uma rede unificada para acolhimento de mulheres, crianças, adolescentes e idosos.

Modelo desenvolvimentista proporcionou rotas para crime organizado

O município de Sorriso foi formado nos anos 1970, em plena ditadura. Professor do Departamento de História da UFMT, Vitale Joanoni Neto explica que a atuação dos militares nessa região apostou em um modelo desenvolvimentista, sob a justificativa de “segurança nacional”, que passou por cima de povos originários e comunidades locais. 

Um dos principais projetos foi a construção da BR-163, que vai de Tenente Portela (RS) a Santarém (PA). No trecho mato-grossense, a rodovia divide Sorriso em duas partes.

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O professor classifica essa divisão como um “apartheid social” com consequências percebidas até hoje, devido à velocidade do fluxo migratório para o município e à infraestrutura insuficiente para o atendimento da população. 

“Do lado direito da rodovia, tinha uma cidade organizada, com toda a estrutura que o projeto colonizador proporcionava.  Quando se emancipou o município, a prefeitura cuidava”, explica Joanoni Neto. “Do lado esquerdo da rodovia, tinha os trabalhadores que migravam com suas famílias, não tinham grande recurso. Eles ocupavam áreas irregularmente, sem o acompanhamento do poder público”, complementa.

Outra rodovia relevante é a BR-242, que vai de Sorriso a Maragogipe (BA). Essas novas rotas, inicialmente planejadas para o escoamento da produção agrícola, criaram condições propícias para o deslocamento e a abertura de novos mercados por grupos criminosos, avalia Edson Benedito Rondon Filho, professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFMT e também membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Um deles, indica, é o roubo de agrotóxicos, produtos considerados de alto valor. “Além do roubo e do furto, o problema também é o receptador”, diz Rondon Filho. “E aí tem uma relação muito implicada com o agro porque, se você rouba insumos e defensivos agrícolas, você tem que vender para quem trabalha com a terra”, complementa o professor.

Em 2021, foi criada a Patrulha Rural, vinculada à Polícia Militar, para monitorar áreas a que o policiamento não chega com facilidade.

O pesquisador Naldson Ramos ressalta que o poder público tem apostado mais em repressão do que em investigação e prevenção — o fato de a polícia responder por  18,7% de todas as mortes violentas em 2024 no município aponta para essa conclusão. 

“O governo deu para a polícia carta branca para matar”, afirma Nadson Ramos. “Boa parte desses homicídios são ligados ao confronto com a polícia. Agora, nós sabemos quenem sempre existe o confronto. Basta que a pessoa tente fugir ou basta que a pessoa tenha uma ficha criminal  já é conhecida, normalmente ela é eliminada”, finaliza.

 

 

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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Deputado bolsonarista Paulo Bilynskyj agride Guga Noblat na Câmara

POLÍTICA 

Parlamentar segurou jornalista pelo pescoço

Matéria ICL Noticias | 07/08/2025 | 06h00



O jornalista Guga Noblat foi agredido na tarde desta quarta-feira (6) pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) quando fazia uma gravação para o canal do ICL Notícias no YouTube. Guga e o cinegrafista Igor Borges abordavam deputados da oposição para saber qual o posicionamento sobre o tarifaço determinado por Donald Trump a produtos brasileiros e sobre a ocupação ilegal das Mesas Diretoras do Congresso. Ao entrevistar Bilynskyj enquanto caminhava a seu lado no corredor das comissões da Câmara, o jornalista foi empurrado.

Depois de reclamar do empurrão, Guga comentou: “Você sabe que eu nunca vou brigar com você, até porque você faz o que faz com mulher… Imagina comigo”. A partir deste momento, o deputado bolsonarista assumiu um tom ainda mais agressivo e questionou, enquanto apertava o pescoço do jornalista por trás: “O que eu faço em mulher? Fala!”. Guga respondeu: “Você é violento”.

Guga fazia uma referência indireta ao episódio ocorrido em maio de 2020, quando em meio a uma discussão sua namorada, Priscila Barros, morreu alvejada por um tiro. Na ocasião, os advogados da mulher chegaram a levantar a suspeita de “instigação ao suicídio”. Bilynskyj declarou que Priscila, na época com 27 anos, atirou em si mesma após realizar os seis disparos contra ele e que, na noite anterior, ela teria se irritado após ver a mensagem de uma mulher “admiradora de seu trabalho como policial”. O processo foi arquivado.

Mesmo após a resposta, Bilynskyj, que é delegado, continuou questionando Guga, com a mão apertando seu pescoço, e peitando o jornalista. O profissional do ICL Notícias reafirmou que o deputado tem fama de violento e o parlamentar continuou tentando intimidá-lo, aos gritos.

“Ele pegou no meu pescoço do jeito que a polícia pega no bandido preso”, descreveu Guga, que pretende registrar a ocorrência em uma delegacia do Distrito Federal.

Eduardo Moreira, criador do ICL, se manifestou em vídeo no Instagram sobre o episódio.

“É inacreditável que uma coisa como essa aconteça e as pessoas comecem a achar normal. A gente exige que a Câmara dos Deputados tome uma providência”, afirmou Eduardo. “Um deputado como esse deveria ser cassado, é uma agressão ao Guga Noblat, uma agressão à imprensa brasileira e ao Instituto Conhecimento Liberta. Nós vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis e a gente espera que todos vocês fiquem conosco nessa indignação e exijam providências”.

 

Link: Vídeo da agressão

Link da matéria original: https://iclnoticias.com.br/deputado-bolsonarista-paulo-bilynskyj-agride-jornalista-guga-noblat-na-camara/



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