segunda-feira, 30 de junho de 2025

Julian Lemos põe em xeque a versão oficial sobre a ‘facada’ em Bolsonaro: “pode ter sido um arranhão”

ENTREVISTA

Ex-deputado que coordenou a campanha bolsonarista diz que Jair Bolsonaro comemorou o episódio e disse: “não precisamos fazer mais nada, ganhamos a eleição”

247 – Em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, publicada no canal da TV 247 no YouTube, o ex-deputado federal Julian Lemos, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro na região Nordeste e atuou como braço operacional do então candidato, fez revelações contundentes que colocam em xeque a versão oficial sobre o episódio da suposta facada ocorrida em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018.

Segundo Lemos, que visitou Bolsonaro dois dias após o atentado, a reação do então candidato foi inesperadamente fria e triunfalista. “Entrei no quarto esperando ver comoção. Bolsonaro olhou pra mim, pra Gustavo Bebianno e disse, rindo: ‘Deixa eu dizer uma coisa: não precisa fazer mais nada, ganhamos a eleição’.” Para o ex-parlamentar, a cena parecia ensaiada e não transmitia nenhum clima de dor ou gravidade.

Julian Lemos sustenta que o ferimento pode ter sido de pequena proporção: “foi um furo muito pequeno, quase como a ponta de uma faquinha de cozinha”. Ele conta que o então ministro Bebianno estava presente na cirurgia e relatou que, apesar da abertura da barriga e do procedimento complexo, o ferimento original era mínimo. “Talvez não tenha sido uma facada para matar, mas apenas para arranhar. Não sei se disseram ‘fura a perna’, ou ‘só a barriga’, mas que foi esquisito, foi.”

A proteção a Adélio Bispo de Oliveira

Um dos aspectos mais inquietantes do relato diz respeito à ausência de reação dos seguranças de Bolsonaro após o ataque. Adélio Bispo, autor confesso da facada, não foi linchado nem sofreu agressões, o que contraria completamente o padrão esperado em um ambiente dominado por apoiadores fanáticos e forças de segurança armadas. “Não sei como aquele cara saiu vivo dali. Qualquer um que olhasse pra Bolsonaro de cara feia levava um murro. Mas Adélio? Nada”, afirmou Julian. Para ele, o fato de todos os seguranças envolvidos terem sido promovidos posteriormente também é um forte indício de que havia algo muito errado na operação de segurança daquele dia.

Outro ponto grave é o papel de Carlos Bolsonaro, que, segundo Lemos, estava pela primeira e única vez em uma caminhada de rua com o pai. O vereador do Rio de Janeiro, afirma Julian, jamais participava desse tipo de atividade, mas naquele dia estava presente, e teria inclusive se trancado no carro após avistar Adélio Bispo se aproximando. Lemos destaca ainda que Carlos passou a atuar nos bastidores para isolar e desmoralizar aliados de campanha, como ele próprio e Gustavo Bebianno, e chegou a criar uma espécie de “ABIN paralela” para monitorar adversários e aliados suspeitos. O ex-deputado relata que Carlos retirou as senhas das redes sociais do pai durante a transição de governo, como forma de chantagem política.

A reação da família Bolsonaro também é colocada sob suspeita. Segundo Julian, Michelle Bolsonaro demonstrou uma frieza incomum ao saber do suposto atentado. “Ela teria pedido que imitassem a voz de Jair para ouvir, como se fosse uma brincadeira”, lembrou Joaquim de Carvalho, citando trecho do livro de André Marinho. Também Flávio Bolsonaro, em entrevista logo após o episódio, minimizou a gravidade da situação ao dizer que “não foi nada grave”.

De maluco a coitado

Lemos afirma que o episódio da facada foi o divisor de águas da eleição: “Foi sorte, não azar. Na semana seguinte, Bolsonaro subiu sete pontos. Quem dizia ‘não voto nesse maluco’, passou a dizer ‘vou votar nesse coitado’.” O ex-deputado não afirma categoricamente que houve encenação, mas deixa claro que muitos fatos permanecem sem resposta. Ele e Joaquim de Carvalho questionam como Adélio pôde se aproximar tanto, como a faca foi encontrada horas depois por um verdureiro, sem cadeia de custódia preservada, e por que nenhuma investigação séria foi feita durante todo o governo Bolsonaro. “Quatro anos no poder, com controle do aparato do Estado, e ninguém descobriu nada. Isso não entra na minha cabeça.”

Ao final da entrevista, Julian Lemos enfatiza que sua intenção não é fazer acusações sem provas, mas levantar questionamentos legítimos sobre um evento que moldou a história recente do Brasil. Segundo ele, as contas não fecham. Até porque o teatro da vitimização foi essencial para a vitória de Bolsonaro. Se foi espontâneo ou calculado, só o tempo dirá, mas não há dúvidas de que a narrativa oficial é frágil. Assista:


 

Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br

 

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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Participe da cerimônia do 17º Prêmio Jovem Jornalista!

          Participe da apresentação do 17º Prêmio Jovem Jornalista!

 

Venha celebrar o talento e a criatividade das equipes vencedoras do 17º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão !


Na quarta-feira, 9 de julho , a partir das 15h, estaremos no Centro Cultural São Paulo para a audição pública e, em seguida, a cerimônia de premiação dos documentários produzidos nesta edição do Prêmio.


É uma oportunidade de conferir, em primeira mão, os trabalhos finalistas e mergulhar nos bastidores de reportagens que transformam dados do Atlas da Violência e do Anuário de Segurança Pública em narrativas sensíveis e potentes sobre o Retrato da Violência no Brasil.


A programação é aberta ao público e contará com um espaço de trocas entre estudantes, jornalistas e especialistas, além de momentos de celebração, com música, intervenções artísticas e buffet especial.


Para participar, basta reservar os ingressos nos links abaixo. Todos os estudantes que compareceram têm certificado de participação com horas complementares válidas para fins acadêmicos.


Não vai ficar de fora, né?


Confira os links de inscrição:

• Audição pública – das 15h às 19h
• Cerimônia de premiação – das 20h às 21h30

Local: Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 960 – Liberdade, São Paulo – SP)

O CCSP fica ao lado da estação Vergueiro (Linha Azul do Metrô), com acesso facilitado para quem de transporte público.

Para quem optar por ir de carro, há estacionamentos particulares na região.

Nós vemos lá!












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terça-feira, 24 de junho de 2025

Ataque aéreo israelense mata 40 palestinos em Gaza

 

IA está propagando desinformação sobre a guerra entre Israel e Irã

GUERRA

Inteligência artificial tem sido utilizada para criar imagens falsas do conflito e que são propagadas rapidamente pelas redes sociais
 
 
Bandeiras de Israel e Irã - Imagem: tunasalmon/Shutterstock

 
Um novo fator deve ser considerado quando analisamos as guerras modernas: a inteligência artificial. Um exemplo disso é a escalada nos confrontos entre Irã e Israel, que ameaçam aumentar ainda mais as tensões no Oriente Médio.
 
Neste conflito específico, a IA tem sido utilizada para criar imagens falsas e que são propagadas rapidamente pelas redes sociais. Elas mostram uma devastação que não existe de verdade e que pode acirrar ainda mais os ânimos.
 
Redes sociais espalham as mentiras rapidamente (Imagem: Viktollio/Shutterstock)
 

IA está sendo utilizada para espalhar propaganda e ódio

Por um lado, a ferramenta pode ajudar a preencher o vazio criado pelos “apagões” da mídia tradicional, sejam ele causados pelas dificuldades relacionadas ao confronto ou pelas restrições de regimes autoritários. No entanto, ela também pode servir para espalhar propaganda e ódio.

Canais do Telegram e contas no X (antigo Twitter) e TikTok estão repletos de informações sobre a guerra no Oriente Médio. São inúmeras imagens mostrando a devastação causada pelos bombardeios realizados pelas duas partes, mas muitas delas são falsas. Essa verificação está sendo feita pela GetReal, uma empresa de detecção de mídia que coleta e analisa os vídeos sobre o conflito.

Apenas nas últimas 12 horas, nós da GetReal vimos uma série de vídeos falsos em torno do recente conflito entre Israel e Irã. Conseguimos vincular cada um desses vídeos visualmente atraentes ao Veo 3. Não é surpresa que, à medida que as ferramentas de IA generativa continuam a melhorar no fotorrealismo, elas estejam sendo mal utilizadas para espalhar desinformação e semear confusão.

          Hany Farid, professor da UC Berkeley e fundador da GetReal  

 

Exemplos de uso da IA para espalhar imagens falsas da guerra (Imagem: reprodução/GetReal)

Além de propagar mentiras sobre um tema tão delicado, este tipo de uso da IA dificulta saber o que é verdade no mundo atual. Isso pode prejudicar a própria compreensão do público acerca dos fatos. As informações são do portal 404 Media.

A vítima nesta guerra de IA é a verdade. Qualquer lado agora pode alegar que quaisquer outros vídeos mostrando, por exemplo, um ataque bem-sucedido ou violações dos direitos humanos são falsos. Encontrar a verdade em tempos de conflito sempre foi difícil, e agora, na era da IA e das mídias sociais, é ainda mais difícil.

Hany Farid, professor da UC Berkeley e fundador da GetReal

 

Leia mais

Ataques entre Israel e Irã estão escalando (Imagem: Mohammed Mohsin Ali/Shutterstock)
 

Aumento das tensões no Oriente Médio

  • O conflito entre Israel e Irã começou na última sexta-feira (13) e já deixou centenas de mortos.
  • Os israelenses bombardearam diversos alvos iranianos, entre eles instalações nucleares, matando, inclusive, alguns líderes do governo do país.
  • Tel Aviv alega que o objetivo dos ataques é acabar com o programa nuclear do Irã.
  • Segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, os iranianos podem ser capazes de construir bombas nucleares no futuro próximo, o que ameaçaria a existência israelense.
  • Já Teerã considerou os bombardeios como “crimes de guerra” e garantiu que não pretende construir armas nucleares.
  • O país retaliou lançando mísseis contra as principais cidades de Israel.
  • O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ainda disse que os ataques terão “consequências irreparáveis”.
  
Colaboração para o Olhar Digital

Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.

 

Link Matária Olhar Digital

https://olhardigital.com.br/2025/06/19/pro/ia-esta-propagando-desinformacao-sobre-a-guerra-entre-israel-e-ira/?utm_campaign=newsletter_posicao_03&utm_medium=leia_mais&utm_source=newsletter 

 
 

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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Tapetes de Corpus Christi: conheça a origem e o significado dessa tradição da Igreja Católica

 CALEBRAÇÃO CRISTÃ

Em Canaã dos Carajás, os tapetes são confeccionados nas imediações da Igreja de São Mateus, para onde vai a procissão com o Santíssimo Sacramento 
 

 


Celebrado nesta quinta-feira (19), o feriado de Corpus Christi é uma das datas mais tradicionais do calendário litúrgico da Igreja Católica. A comemoração tem como objetivo homenagear o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo na Eucaristia.

Uma das manifestações mais marcantes desse dia é a confecção de tapetes coloridos nas ruas por onde passa a procissão com o Santíssimo Sacramento. Os desenhos retratam símbolos da fé católica, como passagens bíblicas, imagens de santos e outros elementos religiosos. A confecção dos tapetes envolve a participação voluntária de fiéis, em um gesto de devoção e arte que transforma as ruas em verdadeiros corredores sagrados.

“O dia de Corpus Christi é uma solenidade do Santíssimo Sacramento — do Corpo e do Sangue de Cristo. Trata-se de uma celebração litúrgica da Igreja Católica, realizada sempre 60 dias após a Páscoa”, explica o padre Adriano Araújo da Silva, da Paróquia de Canaã dos Carajás.

A origem da celebração remonta ao ano de 1247, na Diocese de Liège, na Bélgica. Posteriormente, em 1264, o Papa Urbano IV oficializou a festa por meio da bula Transiturus de hoc mundo, instituindo o Corpus Christi como solenidade para toda a Igreja.

Durante a celebração, após a missa, a hóstia consagrada — considerada o próprio corpo de Cristo — é colocada em um ostensório, objeto litúrgico usado para expor a Eucaristia à adoração dos fiéis. Em seguida, realiza-se a procissão com o Santíssimo Sacramento, como forma pública de louvor e fé.

Em Canaã, a tradição é mantida com grande fervor. Desde o início dos anos 2000, a comunidade católica se reúne anualmente para a confecção dos tapetes. Inicialmente, a atividade era realizada em frente à Igreja Matriz, na Rua Tancredo Neves, no centro da cidade. Atualmente, os tapetes são confeccionados nas imediações da Igreja de São Mateus, no bairro Novo Horizonte.

Neste ano, a organização conta com a participação de 29 comunidades, 15 pastorais e 5 movimentos sociais, sob a coordenação do padre Adriano. A programação terá início às 18h30, com a celebração da missa solene de Corpus Christi, seguida da procissão, que sairá da Igreja Matriz, no centro da cidade, em direção à Igreja de São Mateus.

A expectativa da Paróquia é de que milhares de fiéis participem da procissão, demonstrando sua fé, devoção e compromisso com essa tradição centenária da Igreja Católica. 




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quarta-feira, 18 de junho de 2025

Doze jornalistas da América Latina contam o que está acontecendo com a biodiversidade na Amazônia, que é casa de uma em cada dez espécies no planeta conhecido pela ciência.

 AMAZÔNIA

Eles percorreram a Amazônia no Brasil, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela, investigando como o desmatamento e o garimpo estão secando e envenenando rios, lagos e oceanos.

 

Manejo do pirarucu. Foto: Miguel Monteiro

Suas reportagens mostram como a devastação de ecossistemas sensíveis torna inviável a vida nas cidades amazônicas, de Manaus e Belém, no Brasil, a Tena, no Equador, devido ao calor excessivo e à falta de sombra natural. Ela também coloca em risco as abelhas sem ferro , essenciais para a economia de algumas comunidades no Peru, e desorienta lobos-marinhos e outros animais que acabam encalhados na costa brasileira por causa das ondas sonoras utilizadas pela indústria petrolífera.

As reportagens mostram, ainda, que comunidades no interior da floresta brasileira estão se organizando para ajudar o pirarucu — o gigante dos rios — a sobreviver em um ambiente com cada vez menos água. Também revelaram como os bolivianos estão aprendendo a consumir o paiche (como chamam o pirarucu), que invadem os rios da Bolívia e ameaçam exterminar outras espécies. E investigam registros fraudulentos que tentam ampliar a fronteira agrícola e são cancelados pelas autoridades federais e estaduais no Brasil.

As produções fazem parte do projeto “ Laços Amazônicos” , edital em parceria entre o Serrapilheira e o Centro Latinoamericano de Jornalismo Investigativo ( CLIP ). Os jornalistas selecionados participaram de um workshop intensivo e, ao longo de três meses, desenvolveram suas reportagens com acompanhamento de especialistas e editores.

O resultado pode ser conferido aqui .

 

Um abraço e até a próxima,
Natasha Felizi,
Diretora de Jornalismo e Mídia do Serrapilheira
 

 

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terça-feira, 17 de junho de 2025

Bloqueio de R$ 17 milhões em bens de desmatador da Amazônia

Publicado em: 16 de junho de 2025 

Inlustração  



A Advocacia-Geral da União obteve, na Justiça, a indisponibilidade de mais de R$ 17 milhões em bens de desmatador da Amazônia. A atuação do AGU-Recupera, grupo estratégico que tem como atribuição adotar medidas jurídicas de proteção dos biomas e do patrimônio cultural brasileiros, se deu no âmbito da Ação Civil Pública ajuizada em favor do Ibama para a recuperação de 774,55 hectares de área desmatada. O terreno é parte de uma fazenda localizada no estado de Mato Grosso, inserida no bioma Amazônico.

O pedido dos procuradores federais que compõem o Núcleo de Matéria Ambiental da Equipe de Matéria Finalística da 1ª Região foi baseado no princípio de que a responsabilidade civil ambiental tem caráter objetivo e solidário. A responsabilidade civil ambiental é a obrigação legal de reparar ou indenizar danos causados ao meio ambiente. Quando essa responsabilidade é objetiva, significa que o causador do dano é obrigado a repará-lo, mesmo sem ter culpa. É o que terá que fazer o fazendeiro desmatador: recuperar a área desmatada.

A área chegou a ser embargada a fim de garantir a regeneração natural. Mas a decisão não foi respeitada e os 774,55 hectares continuaram sendo explorados. Diante disso, a AGU requereu proibição de explorar a área, a indisponibilidade dos seus bens, a suspensão de benefícios/incentivos fiscais e de crédito, e a averbação da existência da ACP à matrícula imobiliária (anotação na matrícula do imóvel, informando que há ação judicial em andamento que pode afetar o bem).

Foi determinado o bloqueio R$ 17.771.854,15, via sistema Sisbajud. E, ainda, a suspensão de incentivos e benefícios fiscais, bem como de acesso às linhas de crédito concedidas pelo Poder Público, até que o dano ambiental esteja completamente regenerado, devendo ser notificado o Banco Central do Brasil, a fim de que seja emitido comunicado a todas as instituições oficiais de crédito.

“É sabido que o meio ambiente tem proteção especial na Constituição Federal, cabendo ao Poder Público, bem assim à coletividade, o dever de defendê-lo, adotando todas as providências previstas com vista a assegurar um ambiente ecologicamente equilibrado, preservando-o, dessa forma, para as gerações presentes e futuras”, assinalou a magistrada em trecho da decisão.

A Justiça ainda acolheu o argumento da AGU no sentido que o fazendeiro vem exercendo na área atividade econômica de forma contrária às normas que regem a matéria, causando degradação ambiental. “O presente quadro remete à ausência de compromisso do proprietário na observância das leis ambientais até como uma certeza de inefetividade das medidas administrativas até então tomadas”, disse a magistrada em outro trecho da decisão.

Segundo a procuradora Federal Natália Lacerda, coordenadora do Núcleo de Meio Ambiente da PRF, a decisão judicial reconhece a urgência de preservar a Amazônia e responsabilizar quem insiste em degradá-la. A força-tarefa em Defesa da Amazônia é formada por integrantes da Procuradoria-Geral Federal, e da Procuradoria-Geral da União. A PRF1ª Região é unidade da PGF, órgão da AGU. Processo de referência: ACP n° 1000972-942024.4.01-3605.

Aguarda-se idêntica providência quanto aos desmatadores e poluidores do Pará, a exemplo do arrozeiro em Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó.

 

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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Agentes do ICMBio sofrem atentados em reserva no Acre

CRIME AMBIENTAL 

Criminosos bloqueiam estradas e tentam incendiar acampamento

Matéria da Agenda do Poder | Redação | Geral| 16 de junho de 2025 – 13:15

Reserva Chico Mendes | Greepeace / Divulgação

Agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram alvo de atos criminosos na madrugada do domingo (15), na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

Os atentados ocorreram em meio à Operação Suçuarana, deflagrada contra o desmatamento e a pecuária ilegal na região.

Estradas foram bloqueadas com fogo; pontes destruídas e cercas cortadas. De acordo com o ICMBio, houve também uma tentativa de incêndio no acampamento utilizado por sua equipe de fiscalização.

Tudo, segundo o instituto, de forma articulada com o objetivo de “intimidar e impedir o trabalho de combate aos ilícitos ambientais”, de forma a comprometer a continuidade da operação e garantir a impunidade de atividades ilegais no interior da Reserva Chico Mendes.

“Apesar das tentativas de obstrução, a fiscalização segue em andamento”, informou o ICMBio, ao ressaltar já ter denunciado, registrado e comunicado o caso às autoridades, incluindo órgãos de segurança pública e Ministério Público Federal.

Meios de vida e cultura

O instituto explica que a Reserva Extrativista Chico Mendes é uma unidade de conservação federal criada para assegurar os meios de vida e a cultura das populações tradicionais extrativistas, além de garantir a conservação dos recursos naturais da região.

“A expansão ilegal da pecuária dentro da reserva representa uma grave ameaça tanto para o meio ambiente quanto para os próprios moradores que dependem da floresta em pé”, informou, por meio de nota, o ICMBio.

 

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