São Paulo, julho de 2026 - No
Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, o debate sobre amizades ganha
também uma dimensão de saúde pública. Além do valor afetivo, vínculos
consistentes contribuem para
reduzir o estresse, ampliar a sensação de segurança e fortalecer o
bem-estar emocional ao longo da vida. Por outro lado, quando essas
conexões enfraquecem, aumentam os riscos de isolamento, sintomas
ansiosos, tristeza persistente e sensação de solidão.
De acordo com Ligia Kaori Matsumoto, psicóloga do Hospital Dia M’Boi Mirim I, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a amizade é entendida como um fator de proteção importante para a saúde física e mental.
A seguir, a especialista responde às principais perguntas sobre o tema.
Do ponto de vista da saúde, o que
acontece quando uma pessoa tem vínculos de amizade sólidos? E o que muda
quando esses vínculos faltam?
A amizade funciona como
um fator de proteção para a saúde física e mental. Um amigo é,
literalmente, aquela pessoa com quem podemos contar. Ter boas amizades
ajuda na percepção de segurança, confiança e na motivação para enfrentar os desafios do cotidiano.
Quando esses vínculos faltam, há maior risco
de depressão, sintomas ansiosos e sensação de solidão. Isso não
significa que a ausência de amizade cause, por si só, um adoecimento,
mas ela amplia a vulnerabilidade emocional e dificulta o enfrentamento de situações difíceis.
Por que a amizade tem um peso tão grande na saúde e na longevidade?
Porque nós, seres humanos, somos seres
sociais. A nossa formação começa no contato com o outro e se constrói ao
longo da vida, na família, na escola, no trabalho e no convívio em
sociedade.
A amizade exerce um papel
importante nesse processo. Ela protege, transmite segurança, eleva a
autoestima e fortalece o sentimento de pertencimento. Além disso, pode
estar associada à liberação de neurotransmissores que favorecem a
sensação de bem-estar. Por isso, não se trata apenas de uma relação
afetiva, mas de um componente relevante da vida social e emocional.
Como as amizades funcionam como um “amortecedor” diante do estresse?
Diante de uma situação estressante, saber
que existe alguém em quem se pode confiar é reconfortante e
tranquilizador. Compartilhar dificuldades com um amigo não elimina o
problema, mas muda a forma como ele é vivido.
Esse suporte traz a
sensação de cuidado, de estar em um lugar seguro e de não estar
sozinho. Com isso, a sobrecarga emocional tende a diminuir, e o corpo
também sente menos
os efeitos do estresse. Em períodos de maior pressão, ter uma rede de
apoio faz diferença para atravessar os desafios com mais equilíbrio.
Qual a diferença entre estar sozinho e sentir-se solitário?
Estar sozinho é algo objetivo: não ter
fisicamente uma companhia. Já sentir-se sozinho ou solitário é uma
experiência subjetiva, emocional.
É possível estar sozinho e se sentir
pleno. Ao mesmo tempo, estar rodeado de pessoas e, ainda assim, se
perceber só. Por isso, a solidão não depende apenas da presença ou
ausência de companhia, mas da qualidade dos vínculos e da forma como a
pessoa se sente em relação a eles.
Por que é tão difícil fazer e manter amizades na vida adulta?
Na vida adulta, muitas mudanças acontecem
ao mesmo tempo. Há rotina de trabalho, estudos, cuidado com a família e
outras responsabilidades, o que reduz o tempo disponível para
convivência e novas experiências sociais.
Além disso, muitas pessoas acreditam que, nessa fase, o círculo social já deveria estar consolidado. Isso gera insegurança
ou vergonha para iniciar novos vínculos. Situações como divórcio,
mudança de cidade ou transformações na vida social também exigem
recomeços. Nesses casos, reconstruir amizades parece desafiador, mas faz parte dos ciclos da vida.
Como as redes sociais estão transformando as amizades?
A tecnologia trouxe benefícios
importantes. Ela facilita manter contato com pessoas de diferentes
lugares e aproximar indivíduos com interesses semelhantes. Esse recurso
pode ser muito positivo, especialmente quando a distância física
dificulta o convívio.
Por outro lado, também pode favorecer relações mais superficiais e uma falsa sensação de conexão. É fundamental observar se os vínculos ficaram restritos à rede social e se houve um afastamento dos contatos presenciais. A tecnologia auxilia, mas não substitui completamente a convivência real, o olhar direto e a presença concreta.
Como as necessidades de amizade mudam ao longo da vida?
Na infância, os amigos são importantes
para brincar, aprender a compartilhar, esperar a vez e desenvolver a
cooperação. Também ajudam a construir aspectos ligados à autoestima e ao
pertencimento.
Na adolescência, as amizades ganham ainda mais centralidade. Os grupos têm papel essencial no desenvolvimento da independência e da autonomia. Já na fase adulta, se torna mais difícil manter vínculos, mas o número de amigos tende a diminuir enquanto a qualidade das relações aumentar.
No envelhecimento, a amizade continua tendo valor. Ela estimula habilidades cognitivas, protege do
isolamento, da depressão e da perda de funcionalidade. Em todas as
fases, portanto, a amizade acompanha necessidades diferentes, mas segue
sendo relevante.
Quais sinais indicam que a rede de apoio está fragilizada e como reconstruí-la depois de se afastar dos amigos?
Os sinais costumam aparecer de forma
gradual e silenciosa. Entre eles estão evitar atividades sociais que
antes faziam parte da rotina, sentir que precisa fazer tudo sozinho , passar os períodos de descanso isolado e sentir vergonha de procurar ajuda.
Esses comportamentos merecem atenção porque indicam um
enfraquecimento da rede de apoio. Quando isso acontece, a pessoa tende a
ter menos recursos emocionais para lidar com frustrações, perdas e
situações de estresse.
O afastamento acontece por
diversos fatores, mas, apesar disso, não precisa ser definitivo. É
importante entender que os vínculos mudam ao longo da vida e que
pequenos gestos auxiliam a se reaproximar de pessoas.
Retomar o contato, enviar uma mensagem, aceitar um convite ou dar o primeiro passo para uma conversa faz a diferença. A rede social é uma
aliada nesse processo, desde que usada de forma consciente. Recomeçar
não significa apagar o passado, mas abrir espaço para novas
possibilidades de relação.
Qual mensagem você deixaria para quem considera a amizade algo secundário?
Às vezes, só percebemos a importância de
uma amizade quando ela falta. Amigos dividem os momentos felizes, mas
também estão presentes nos períodos difíceis e nas fases de maior
fragilidade.
Uma experiência ruim pode acontecer, e
isso não deve levar à generalização de que toda amizade será assim. Uma
decepção não define as relações que ainda serão construídas. Amizade significa apoio, presença e a lembrança de que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.
Em uma sociedade marcada por pressa,
dispersão e mudanças constantes na forma de convivência, preservar
vínculos segue sendo uma atitude simples, mas importante para a saúde
mental. Cultivar amizades, retomar contatos e pedir ajuda quando
necessário são gestos que fortalecem o cuidado com a vida e com o outro.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas
“Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos.
Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no
gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de
Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco
da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de
Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto
Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de
ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de
promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de
excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado
novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma
homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da
Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha
CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do
presente, transformando o futuro!
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição.
Informações à imprensa:
Máquina
cejam@agenciamaquina.com
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