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Eleições no Pará: candidaturas do campo popular - indígenas, quilombolas, sem terra, LGBTQIA+, professores e outras
Diz a lenda que ao longo de mais de 130 anos, somente um negro ocupou o cargo de presidente da República. O feito é creditado a Nilo Peçanha lá no começo do século XX.
Cumpre realçar, uma República entrecortada por golpes e tantas outras tentativas não exitosas, a exemplo da recente perpetrada pelo clã linha de frente do obscurantismo nacional entrincheirado na legenda PL.
Nestes poucos mais de cem anos, nenhum indígena sequer foi candidato ao cargo máximo do país, ao contrário do que ocorreu na Bolívia.
Tais indicadores dizem muito sobre os pilares que estruturam as arenas de poder do Brasil, um país estruturado a partir da concentração da terra e do monocultivo impulsionado a partir da escravização e voltado para o mercado externo.
Não à toa, a bancada ruralista exerce protagonismo desde os anos de 1980, quando edificou a frente reacionária denominada de Centrão, hoje turbinada por outros setores, a exemplo de representantes de denominações religiosas e militares.
Em síntese, uma República corroída pela chaga do privilégio, que o diga a postura de ojeriza de certo apresentador global contra o programa de tentativa de redistribuição de renda, o Bolsa Família.
Neste percurso, somente uma mulher logrou ocupar o cargo, Dilma Roussef, ardilosa e covardemente afastada pelos setores mais reacionários em um dos episódios mais bizarros da história do Congresso.
Ainda que tenhamos indígenas, quilombolas, extrativistas, sem terra, LGBTQIA+ a concorrer no presente pleito, ainda é um número pouco expressivo. E, concorrem em um ambiente marcado por abissais assimetrias. Como diz um bordão antigo: é o combate do tostão contra o milhão.
Nem mesmo os partidos considerados como do campo popular sabem quem são os candidatos com este perfil. Em consulta às assessorias destes partidos no estado, um não respondeu e outro indicou uma consulta ao diretório nacional.
Contudo, no Pará há candidatos indígenas, quilombolas, extrativistas, sem terra, LGBTQIA+, feminista, dirigente de religião de matriz africana, professores, sindicalistas e defensores dos direitos humanos. Registraremos aqui alguns nomes e números de candidaturas que conseguimos acessar.
Para a presidência da República, o PSTU (16) lançou o professor de História, mestre em Educação e rapper Hertz Dias.
O militante do movimento negro é filho do Maranhão. No estado, agitou as fileiras do coletivo Quilombo Urbano e integrou os grupos Clã Nordestino e Gíria Vermelha.
Governadora
O mesmo partido lançou para o governo do Pará, uma terra dominada por inúmeras oligarquias, Well Macedo (16). A comunicóloga é uma mulher negra nascida em Belém. Possui curso superior incompleto. Já concorreu em outros pleitos.
Araceli (PSOL), governadora, 50. A ex deputada estadual é uma histórica militante do estado. Possui curso superior completo. Por décadas foi professora de História da rede pública do estado e do colégio da FAB (Força Aérea Brasileira), escola Tenente Rego Barros.
Senador
Professor Conti (PSOL), 500, senador. É professor universitário. Milita na região do Trombetas, conhecida mundialmente pela extração da bauxita em territórios quilombolas.
Deputado estadual
Pablo Neri (PT) -13700, deputado estadual. É do MST do Pará. É LGBTQIA+. Milita no município de Parauapebas e região de Carajás. Possui curso superior completo e faz mestrado na Unifesspa.
Mãe Wanda (PT) – 13600, deputada estadual. É uma mulher preta. É líder de cultos religiosos de matriz africana. É enfermeira. Possui ensino médio completo. Já disputou outros pleitos eleitorais chegando a ser suplente no Legislativo estadual.
Auricélia Arapiun (PSOL) – 50321, deputada estadual. É uma mulher indígena de Santarém. Possui curso superior incompleto. Por conta de sua militância na região em defesa dos povos indígenas e da Amazônia sofre constantes ameaças de morte. O nome dela integra uma lista de 20 pessoas ameaçadas no PAE Lago Grande.
Vanuza Quilombola (REDE), 18789, deputada estadual. Quilombola de Abacatal, região metropolitana de Belém. Possui curso superior completo. Milita na defesa do território ancestral em meio a um cenário de marcado pela aguda especulação imobiliária.
Professora Marinor (PSOL), 50555, deputada estadual. Filha de Alenquer, a professora possui curso superior completo e pós-graduação. É uma experimentada política do estado com um franco diálogo com o conjunto dos movimentos sociais.
Livia Duarte (PSOL), 50123, deputada estadual. A mulher negra concorre à reeleição. Duarte tem curso superior completo. Assim como Marinor, cultua diálogo com os movimentos sociais.
Bordalo (PT), 13130, deputado estadual. É educador popular. É a voz solitária na defesa dos direitos humanos no Legislativo em um estado notabilizado mundialmente pela violação destes direitos.
Maria do Carmo (PT), 13123, deputada estadual. Ex prefeita de Santarém. Foi jurista e promotora de justiça do estado. Concorre à reeleição.
Panzera (PC do B), 65123, deputado estadual. Curso superior incompleto. Recentemente ocupou cargo na imprensa oficial do estado no setor de edição de livros, sendo responsável por importantes publicações.
Deputado federal
Biga (PT), 1324, deputado federal. É natural de Santarém. Possui curso médio completo. É vereador em segunda legislatura. É LGBTQIA+.
Airton Faleiro (PT), 1321, deputado federal. Foi trabalhador rural. O veterano político exerce cargos legislativos (estadual e federal) desde 2014. O migrante do Sul do país colaborou com a formação e organização de sindicatos de trabalhadores rurais na região da Transamazônica e da BR 163 nos anos de 1980, junto com outros conterrâneos, a exemplo da família Ganzer.
Professor Portela (PSOL), 5060, deputado federal. É professor da UFOPA, onde preside o sindicato dos professores. O cientista político é um histórico militante na região do Baixo Amazonas, onde pesquisa sobre a exploração minerária.
Alessandra Munduruku (PT) – 1388, deputada federal. A indígena mundialmente conhecida pela sua militância em defesa dos povos indígenas e da Amazônia. Mora em uma aldeia no município de Itaituba, notório pela exploração de garimpos. Chegou a iniciar o curso de Direito na Ufopa. Concorre pela primeira vez em uma eleição.
Charles Alcantara (PT), 1369, deputado federal. É funcionário público e sindicalista do setor da receita estadual. Foi presidente do sindicato dos fiscais da receita em várias ocasiões. Notabilizou a instituições para além dos limites da categoria.
Vivi Reis (PSOL), 5050, deputado federal. Forjada nas fileiras do movimento estudantil possui curso superior completo. Estreou na disputa política em 2018, ficando na suplência como deputada federal. Atualmente é vereadora em Belém.
ELEIÇÕES 2026
Segundo a revista piauí, diálogos mostram pedido de recursos feito por Robson Calixto, condenado por envolvimento no assassinato da vereadora; senador destinou R$ 199,9 mil a projeto esportivo na Taquara
Um diálogo entre uma assessora do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), revelou a destinação de quase R$ 200 mil em emenda parlamentar para um projeto esportivo na Taquara, na Zona Oeste do Rio, em área de influência do ex-deputado Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, também condenados pelo crime. As informações foram divulgadas pela revista piauí nesta segunda-feira (21).
Segundo a revista, as conversas recuperadas pela Polícia Federal mostram Calixto pedindo ajuda para conseguir recursos destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Taquara.
A emenda de autoria de Flávio Bolsonaro destinou R$ 199.999,79 ao instituto em novembro de 2023. O dinheiro foi usado no projeto esportivo “Jogadores do Futuro”, por meio de recursos encaminhados pelo Ministério do Esporte.
Conforme informou a revista piauí, as mensagens foram encontradas no celular de Robson Calixto, apreendido pela Polícia Federal durante as investigações do caso Marielle.
Em outubro de 2023, Calixto escreveu para a assessora parlamentar Maria de Fátima Bezerra Castro, cujo contato estava salvo no aparelho como “Fafa Flávio Bolsonaro”:
“Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.”
A assessora respondeu que ele deveria formalizar o pedido por e-mail ou ofício. Pouco depois, Calixto encaminhou um documento identificado como “Ofício nº 002-2023 – Senador Flávio Bolsonaro”.
Dias depois, segundo a revista, Maria de Fátima perguntou quando Calixto iria a Brasília. Ele respondeu que viajaria em novembro e perguntou se seria possível conseguir ajuda.
Em seguida, a assessora perguntou se ele ainda mantinha contato com Chiquinho Brazão e orientou que os dois reforçassem pessoalmente o pedido junto ao senador durante uma cerimônia no Rio de Janeiro.
“Vc vai tbm e já reforça o pedido com senador.”
Na sequência, ela enviou o convite para um evento de entrega de coletes à Polícia Militar e acrescentou:
“Leva o deputado.”
Ainda segundo a revista piauí, Calixto voltou a cobrar informações sobre a liberação dos recursos em novembro de 2023.
“Bom dia, amiga não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto.”
A resposta da assessora foi:
“Pode deixar.”
Em 29 de novembro de 2023, o Ifop recebeu R$ 199.999,79 por meio de uma emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro. O valor fazia parte de uma emenda global de R$ 599.128, da qual R$ 399.128 foram destinados ao município de Barra do Piraí por “Emenda Pix”
O recurso enviado ao Ifop passou pelo Ministério do Esporte e foi vinculado ao projeto “Jogadores do Futuro”.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de possíveis desvios na utilização de recursos de emendas destinadas a entidades sem fins lucrativos ligadas ao grupo dos irmãos Brazão.
Segundo a apuração da revista, um relatório técnico do Tribunal apontou problemas na execução dos recursos destinados ao Ifop.
Entre os pontos identificados está a contratação de um escritório de advocacia para atuar na coordenação do projeto. O escritório tinha como responsável o próprio presidente do instituto, José Rômulo Oliveira Alves, que assinou o contrato representando tanto a entidade quanto a empresa contratada.
Os técnicos do TCU classificaram a situação como “no mínimo, inusitada” e apontaram possível conflito de interesses.
O relatório também apontou problemas nos procedimentos utilizados para realizar cotações de preços. Segundo os técnicos, houve coincidência entre os valores apresentados pelas empresas e os preços de referência, além da ausência de redução dos valores.
O Ifop afirmou à revista piauí que a contratação de pessoal próprio é permitida pelas regras aplicáveis às organizações da sociedade civil e informou que pretende contestar as conclusões do TCU.
As mensagens também registram outro pedido feito pela assessora a Calixto.
Em janeiro de 2024, Maria de Fátima perguntou se ele conseguiria quatro ingressos para o desfile das campeãs do Carnaval no camarote Arpoador.
Segundo a revista, Calixto conseguiu os ingressos. O relatório da investigação classificou o pedido da assessora como solicitação de “vantagem indevida”.
As mensagens, porém, não registram a entrega dos ingressos diretamente à assessora.
Robson Calixto, conhecido como Peixe, foi condenado em fevereiro de 2026 pelo STF a nove anos de prisão por sua participação na organização criminosa ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.
Segundo as investigações do caso Marielle, Calixto era apontado como um elo entre os irmãos Brazão e integrantes de grupos milicianos da Zona Oeste do Rio.
O ex-policial militar reformado foi citado na delação de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle e Anderson Gomes. Lessa afirmou que Calixto teria sido responsável por apresentá-lo aos mandantes do crime e por providenciar a arma utilizada no assassinato. Calixto negou as acusações.
Os irmãos Brazão foram condenados pelo STF a 76 anos e 3 meses de prisão cada um pela morte de Marielle e Anderson.
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que as emendas foram destinadas dentro da legislação e seguiram critérios técnicos do Ministério do Esporte.
“A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei.”
Conforme informou a revista piauí, o senador, Robson Calixto e Maria de Fátima Bezerra Castro não responderam aos pedidos de manifestação feitos pela publicação.
O Ifop afirmou à revista que “nunca” manteve contato direto com Flávio Bolsonaro. A entidade declarou que sua assessoria especializada apresentou projetos a diversos gabinetes do Senado e da Câmara e que os recursos foram obtidos por meio dessas propostas.
O advogado de Calixto também foi procurado, mas não respondeu. A defesa de Chiquinho Brazão informou que não se manifestaria sobre o assunto. A defesa de Domingos Brazão afirmou que não trata de questões relacionadas às emendas.
Origem da matéria: https://agendadopoder.com.br/assessora-de-flavio-bolsonaro-negociou-emenda-com-condenado-no-caso-marielle-afirma-revista/
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ELEIÇÕES
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Psicóloga do CEJAM explica o papel das amizades como fator de proteção e por que a solidão merece atenção em todas as fases da vida
São Paulo, julho de 2026 - No Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, o debate sobre amizades ganha também uma dimensão de saúde pública. Além do valor afetivo, vínculos consistentes contribuem para reduzir o estresse, ampliar a sensação de segurança e fortalecer o bem-estar emocional ao longo da vida. Por outro lado, quando essas conexões enfraquecem, aumentam os riscos de isolamento, sintomas ansiosos, tristeza persistente e sensação de solidão.
De acordo com Ligia Kaori Matsumoto, psicóloga do Hospital Dia M’Boi Mirim I, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a amizade é entendida como um fator de proteção importante para a saúde física e mental.
A seguir, a especialista responde às principais perguntas sobre o tema.
Do ponto de vista da saúde, o que acontece quando uma pessoa tem vínculos de amizade sólidos? E o que muda quando esses vínculos faltam?
A amizade funciona como um fator de proteção para a saúde física e mental. Um amigo é, literalmente, aquela pessoa com quem podemos contar. Ter boas amizades ajuda na percepção de segurança, confiança e na motivação para enfrentar os desafios do cotidiano.
Quando esses vínculos faltam, há maior risco de depressão, sintomas ansiosos e sensação de solidão. Isso não significa que a ausência de amizade cause, por si só, um adoecimento, mas ela amplia a vulnerabilidade emocional e dificulta o enfrentamento de situações difíceis.
Por que a amizade tem um peso tão grande na saúde e na longevidade?
Porque nós, seres humanos, somos seres sociais. A nossa formação começa no contato com o outro e se constrói ao longo da vida, na família, na escola, no trabalho e no convívio em sociedade.
A amizade exerce um papel importante nesse processo. Ela protege, transmite segurança, eleva a autoestima e fortalece o sentimento de pertencimento. Além disso, pode estar associada à liberação de neurotransmissores que favorecem a sensação de bem-estar. Por isso, não se trata apenas de uma relação afetiva, mas de um componente relevante da vida social e emocional.
Como as amizades funcionam como um “amortecedor” diante do estresse?
Diante de uma situação estressante, saber que existe alguém em quem se pode confiar é reconfortante e tranquilizador. Compartilhar dificuldades com um amigo não elimina o problema, mas muda a forma como ele é vivido.
Esse suporte traz a sensação de cuidado, de estar em um lugar seguro e de não estar sozinho. Com isso, a sobrecarga emocional tende a diminuir, e o corpo também sente menos os efeitos do estresse. Em períodos de maior pressão, ter uma rede de apoio faz diferença para atravessar os desafios com mais equilíbrio.
Qual a diferença entre estar sozinho e sentir-se solitário?
Estar sozinho é algo objetivo: não ter fisicamente uma companhia. Já sentir-se sozinho ou solitário é uma experiência subjetiva, emocional.
É possível estar sozinho e se sentir pleno. Ao mesmo tempo, estar rodeado de pessoas e, ainda assim, se perceber só. Por isso, a solidão não depende apenas da presença ou ausência de companhia, mas da qualidade dos vínculos e da forma como a pessoa se sente em relação a eles.
Por que é tão difícil fazer e manter amizades na vida adulta?
Na vida adulta, muitas mudanças acontecem ao mesmo tempo. Há rotina de trabalho, estudos, cuidado com a família e outras responsabilidades, o que reduz o tempo disponível para convivência e novas experiências sociais.
Além disso, muitas pessoas acreditam que, nessa fase, o círculo social já deveria estar consolidado. Isso gera insegurança ou vergonha para iniciar novos vínculos. Situações como divórcio, mudança de cidade ou transformações na vida social também exigem recomeços. Nesses casos, reconstruir amizades parece desafiador, mas faz parte dos ciclos da vida.
Como as redes sociais estão transformando as amizades?
A tecnologia trouxe benefícios importantes. Ela facilita manter contato com pessoas de diferentes lugares e aproximar indivíduos com interesses semelhantes. Esse recurso pode ser muito positivo, especialmente quando a distância física dificulta o convívio.
Por outro lado, também pode favorecer relações mais superficiais e uma falsa sensação de conexão. É fundamental observar se os vínculos ficaram restritos à rede social e se houve um afastamento dos contatos presenciais. A tecnologia auxilia, mas não substitui completamente a convivência real, o olhar direto e a presença concreta.
Como as necessidades de amizade mudam ao longo da vida?
Na infância, os amigos são importantes para brincar, aprender a compartilhar, esperar a vez e desenvolver a cooperação. Também ajudam a construir aspectos ligados à autoestima e ao pertencimento.
Na adolescência, as amizades ganham ainda mais centralidade. Os grupos têm papel essencial no desenvolvimento da independência e da autonomia. Já na fase adulta, se torna mais difícil manter vínculos, mas o número de amigos tende a diminuir enquanto a qualidade das relações aumentar.
No envelhecimento, a amizade continua tendo valor. Ela estimula habilidades cognitivas, protege do isolamento, da depressão e da perda de funcionalidade. Em todas as fases, portanto, a amizade acompanha necessidades diferentes, mas segue sendo relevante.
Quais sinais indicam que a rede de apoio está fragilizada e como reconstruí-la depois de se afastar dos amigos?
Os sinais costumam aparecer de forma gradual e silenciosa. Entre eles estão evitar atividades sociais que antes faziam parte da rotina, sentir que precisa fazer tudo sozinho , passar os períodos de descanso isolado e sentir vergonha de procurar ajuda.
Esses comportamentos merecem atenção porque indicam um enfraquecimento da rede de apoio. Quando isso acontece, a pessoa tende a ter menos recursos emocionais para lidar com frustrações, perdas e situações de estresse.
O afastamento acontece por diversos fatores, mas, apesar disso, não precisa ser definitivo. É importante entender que os vínculos mudam ao longo da vida e que pequenos gestos auxiliam a se reaproximar de pessoas.
Retomar o contato, enviar uma mensagem, aceitar um convite ou dar o primeiro passo para uma conversa faz a diferença. A rede social é uma aliada nesse processo, desde que usada de forma consciente. Recomeçar não significa apagar o passado, mas abrir espaço para novas possibilidades de relação.
Qual mensagem você deixaria para quem considera a amizade algo secundário?
Às vezes, só percebemos a importância de uma amizade quando ela falta. Amigos dividem os momentos felizes, mas também estão presentes nos períodos difíceis e nas fases de maior fragilidade.
Uma experiência ruim pode acontecer, e isso não deve levar à generalização de que toda amizade será assim. Uma decepção não define as relações que ainda serão construídas. Amizade significa apoio, presença e a lembrança de que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.
Em uma sociedade marcada por pressa, dispersão e mudanças constantes na forma de convivência, preservar vínculos segue sendo uma atitude simples, mas importante para a saúde mental. Cultivar amizades, retomar contatos e pedir ajuda quando necessário são gestos que fortalecem o cuidado com a vida e com o outro.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
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Informações à imprensa:
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